pra o inferno. Não iria tão longe por você.
Eu não vou para o céu, não sou tão santo assim.
Haverá paradeiro para o meu sonho entre céu e inferno?
Visto que ao olhar-me no espelho de meus atos,
No profundo dos meus olhos descobri a rejeição.
Por tanto culpar os arredores, meu interior tornou-se perturbado.
Carregava em si discórdia por onde passava.
Assim os defeitos não estavam nos olhos, mas nos interior; os olhos apenas refletiam o que havia de errado.
Então quis arrancá-los, mas não pude, minha essência era pura, meu interior corrompido.
Um coração aberto e límpido, uma mente fechada e corrompida.
Sem pensar, erros cometi.
A mudança provinha de mim e, não dos olhos, meu interior
Teria de ser reformulado para não corromper minha essência imatura.
E no profundo do meu interior mergulhei,
Encontrei fantasmas, e os enfrentei.
Notei que nunca havia perdido aquilo que jamais obtive.
Ignora minha existência;sente na pele o arrepiar
Embalado por medos, supostos inimigos fantasmas.
Decifra-me ou devoro-te. Como um selvagem rasga-me e faz em pedaços meus sonhos.
Esquecido sobre o campo, derrotado. Fui covarde, não quis ir além.
Dominou-me o medo, e perdi por não tentar.
As memórias que nunca existiram, a saudade daquilo que não tive me bate ao peito.
Feito animal te procuro, exponho ao mundo meus medos.
Provoco tua curiosidade, e mesmo assim ignora-me.
Teu olhar mais gélido, frente a frente com a fera.
A fera agora, ferida; sentiu dor, sentiu- se sozinha.
Mas quem disse que a fera não podia sangrar?
Pela primeira vez, senti pena do ser que havia me tornado.
Abandonando sonhos, entregando-me ao vicio de ser um viciado.
Preferi guardá-la em meus pensamentos, porque jamais poderia perdê-la.
Egoísta fui e nunca realmente a tive.
Ignore-me e dei vazão à fera, consome-me lentamente
Nestes dias vazios.
Desfazendo-me de sonhos, matei pouco a pouco o humano e criando em mim a fera,
sem sentimentos, mas a fera sofreu por não ter sentimentos.
Aqui jaz o homem e a fera.
No oficio da vida; eu um mero personagem,
Encontro-me no palco das desilusões.
Entre quedas e brilho, componho-me.
- Aplaude-me, vaia-me, pisa-me, ri de minha apresentação.
Esquecido nos bastidores quis brilhar.
A minha voz ergui, declamei versos para ti, chorei por todos
Neste teatro corrompido meu corpo sofreu.
Personagem principal sem valor; exaltado; isolado; fantoche.
Na parede, as cortinas, inquietas, irrelevantes;
-Abram-se as cortinas
- Aplaude-me.
Escorre dos meus olhos emoção.
Nascer, crescer, viver, representar para quem não se importa.
Atores, pobres iludidos sonhadores.
Apresente-se para que eu possa rir. Mostre-me a magia de sonhar e faça-me acreditar.
A poça de humilhação espelha teu semblante.
Da dor, a vitória de ter o papel principal.
Fecham-se as cortinas.
Meu ofício;
Personagem