domingo, 10 de outubro de 2010

Eu não vou

pra o inferno. Não iria tão longe por você.

Eu não vou para o céu, não sou tão santo assim.

Haverá paradeiro para o meu sonho entre céu e inferno?

O problema...

não é nunca estar sozinho, mas sim, nunca se sentir sozinho.

Longe - Arnaldo Antunes

Eu sei...


Que na minha ausência você pode me sentir, mas na minha presença foi incapaz de me tocar.

Deus nos fez...


em pares.

E, eu ainda me pergunto, Por que continuo impar?

Unidos...


por um sentimento altruísta , que nos torna egoísta.

Não é que...


sejamos muito; as pessoas apenas não seriam capazes de nos proporcionar momentos felizes.

Interior

Visto que ao olhar-me no espelho de meus atos,

No profundo dos meus olhos descobri a rejeição.

Por tanto culpar os arredores, meu interior tornou-se perturbado.

Carregava em si discórdia por onde passava.

Assim os defeitos não estavam nos olhos, mas nos interior; os olhos apenas refletiam o que havia de errado.

Então quis arrancá-los, mas não pude, minha essência era pura, meu interior corrompido.

Um coração aberto e límpido, uma mente fechada e corrompida.

Sem pensar, erros cometi.

A mudança provinha de mim e, não dos olhos, meu interior

Teria de ser reformulado para não corromper minha essência imatura.

E no profundo do meu interior mergulhei,

Encontrei fantasmas, e os enfrentei.

Notei que nunca havia perdido aquilo que jamais obtive.

Amor


sentimento contraditório, não há quem o explique, e quem não o entenda.

Fera

Ignora minha existência;sente na pele o arrepiar

Embalado por medos, supostos inimigos fantasmas.

Decifra-me ou devoro-te. Como um selvagem rasga-me e faz em pedaços meus sonhos.

Esquecido sobre o campo, derrotado. Fui covarde, não quis ir além.

Dominou-me o medo, e perdi por não tentar.

As memórias que nunca existiram, a saudade daquilo que não tive me bate ao peito.

Feito animal te procuro, exponho ao mundo meus medos.

Provoco tua curiosidade, e mesmo assim ignora-me.

Teu olhar mais gélido, frente a frente com a fera.

A fera agora, ferida; sentiu dor, sentiu- se sozinha.

Mas quem disse que a fera não podia sangrar?

Pela primeira vez, senti pena do ser que havia me tornado.

Abandonando sonhos, entregando-me ao vicio de ser um viciado.

Preferi guardá-la em meus pensamentos, porque jamais poderia perdê-la.

Egoísta fui e nunca realmente a tive.

Ignore-me e dei vazão à fera, consome-me lentamente

Nestes dias vazios.

Desfazendo-me de sonhos, matei pouco a pouco o humano e criando em mim a fera,

sem sentimentos, mas a fera sofreu por não ter sentimentos.

Aqui jaz o homem e a fera.

Personagem

No oficio da vida; eu um mero personagem,

Encontro-me no palco das desilusões.

Entre quedas e brilho, componho-me.

- Aplaude-me, vaia-me, pisa-me, ri de minha apresentação.

Esquecido nos bastidores quis brilhar.

A minha voz ergui, declamei versos para ti, chorei por todos

Neste teatro corrompido meu corpo sofreu.

Personagem principal sem valor; exaltado; isolado; fantoche.

Na parede, as cortinas, inquietas, irrelevantes;

-Abram-se as cortinas

- Aplaude-me.

Escorre dos meus olhos emoção.

Nascer, crescer, viver, representar para quem não se importa.

Atores, pobres iludidos sonhadores.

Apresente-se para que eu possa rir. Mostre-me a magia de sonhar e faça-me acreditar.

A poça de humilhação espelha teu semblante.

Da dor, a vitória de ter o papel principal.

Fecham-se as cortinas.

Meu ofício;

Personagem

Quis te ver outra vez


então fechei meus olhos, e no meu mundo paralelo pude vê-lo.

Mas Deus...


prova seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós ainda pecadores. (Rm 5.8)